domingo, 11 de novembro de 2012

"No quiero un dragón en mi clase"


No quiero un dragón en mi clase
Texto e ilustração: Violeta Monreal
Ed Scipione/ Anaya


Como todo irmão mais velho, Jorge se sente menos amado pelos pais:

"Papá y mamá quieren mucho más a Andrés que a mí. Cuanto más me dicen todo lo que me quieren, más seguro estoy de que lo dicen sólo porque se sienten culpables de no quererme."

Dessa forma, para ser notado Jorge resolve ser "o menino "mau":

"No tengo muchos amigos
todos dicen que soy un niño malo
malo porque tiro del pelo
malo porque empujo
malo porque tiro arena"

Mas no primeiro dia de aula algo inusitado acontece e muda a vida desse garoto. Na porta da escola havia uma família imensa, incrível, impressionante: uma família de dragões!!



A mãe dragona tentava convencer a diretora da escola a matricular seu filho "Nabú-Zu" e todas as crianças acompanhadas de suas famílias se aglomeraram para observar aquela cena surreal. A partir daí, a autora nos apresenta uma narrativa leve e gostosa onde personagens dragões e humanos tentam resolver o grande conflito que se instala:

"Pueden los dragones ir al colegio?"

 
A cada tentativa de receber o mais novo companheiro de escola Jorge, irritadíssimo com a atenção que a família de dragões recebe, só consegue negar as boas vindas ao pequeno Nabú-Zu - "No quiero que se quede!", repete sem cansar. Ao mesmo tempo,  o leitor saboreia a cada página, surpreendentes atitudes dos adultos diante das dificuldades que surgem para o acolhimento do novo aluno.
 
As cadeiras são pequenas?

- "Yo construiré un pupitre grande especial para él" - diz um pai que era carpinteiro.

Não há espaço para o banho do dragão?

- "Yo te ajudaré. Em mi taller donde se lavan los coches, será fácil bañarlos" - diz o mecânico.

E apesar dos protestos de Jorge "Los dragones son demasiado diferentes para estar con personas", as dificuldades vão aos poucos sendo superadas através de muita cooperação e criatividade coletiva.

 

Em toda a narrativa, Jorge insiste em manter a antenção para si  e acaba despertando o olhar de um personagem especial. O desfecho? Só lendo para saborear! Uma história simples, uma situação incomum, personagens reais ou não, vivendo conflitos universais - ciúmes, diferenças, rejeição, solidariedade, amizade, compreensão.

As ilustrações, da própria Violeta Monreal, despertam o interesse e a sensibilidade do leitor. Suas conhecidas colagens em cores fortes, alegres e chamativas deixam a narrativa ainda mais irresistível.



* Violeta Monreal nasceu em Oviedo, Espanha. Licenciou-se em Bellas Artes, iniciou sua carreira como ilustradora e foi colaboradora da ONU participando de vários projetos. Atualmente se dedica a escrever e ilustrar livros infanto juvenis que são publicados em vários países.
 

domingo, 21 de outubro de 2012

A bicicleta que tinha bigodes

 
O escritor Ondjaki costuma dizer que todo luandês é meio ator: inventa uma história pelo prazer de contá-la e quem ouve, pelo prazer de ouvir, finge que acredita e a alimenta um pouco mais. Histórias de Luanda, sua terra natal, e de sua infância são temas sempre presentes nos livros desse jovem escritor.

 

 
A bicicleta que tinha bigodes”, obra infanto-juvenil publicada em 2012 pela Editora Pallas, conta a história de três crianças que resolvem participar do concurso de redação divulgado na Rádio Nacional, cujo prêmio é uma bicicleta novinha com as cores da bandeira de Luanda. Em busca de ideias para uma boa história essas crianças vão, aos poucos, nos apresentando outras personagens interessantes da rua onde moram: tio Rui que é escritor e tem bigodes mágicos de letrinhas; o motorista de apelido Nove; o GeneralDorminhoco; o CamaradaMudo. A fantasia, a inocência, as aventuras vividas pelos amigos, o sabor das pequenas coisas - como o gostinho do “sumo tang de maracujá” – marcam o ritmo dessa história que resgata valores e sentimentos raros nas obras atuais. A influência das telenovelas brasileiras mais uma vez aparece aqui nas memórias do escritor: Beato Salú, Sinhozinho Malta e professor Astromar Junqueira  da novela Roque Santeiro são citados com bom humor. Assim como em outros livros, o autor segue a grafia angolana e apresenta um pequeno glossário para orientar o leitor menos experiente.

Ondjaki em entrevista a um site português, disse que "a vida é verdadeira demais e temos de trazer ficção para tornar as coisas mais leves e também mais interessantes". A forma simples e verdadeira como ele considera suas memórias - ainda que embaladas por uma pitada de ficção - fazem deste livro uma celebração à amizade e ao ato da escrita. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Professores apaixonados


Dia 15 de outubro é Dia do Professor. Para quem ensina com paixão mesmo diante dos inúmeros contratempos, duas sugestões apaixonadas:

Uma professora fora de série
Esmé Raji Codell
Ed. Sextante/ 1999


 
 
Esmé Raji transformou em livro seu diário do primeiro ano como professora numa escola pública de Chicago. Sem experiência, com 24 anos e determinada a encarar uma turma de 31 crianças negras e pobres, essa professora nos apresenta uma narrativa bem humorada e reveladora. Quem trabalha com educação conhece de perto as dificuldades da profissão, mas Esmé não se deixou intimidar: teimosa, persistente, criativa, desafiadora. Mais do que uma professora, uma mulher forte e determinada. O texto, saboroso, faz com que o leitor devore as 153 páginas em poucas horas. Mais que isso, desperta a vontade de colocar em prática as inúmeras ideias com as quais Esmé conquistou seus alunos. Quem não gostaria de entrar na máquina do tempo, participar dos projetos de leitura, das rodas de quebra-cabeça ou até mesmo aprender matemática dançando?
 
 
A  arte de ensinar
Gabriel Perissé
Ed. Saraiva / 2011
 
 
 


Nesta obra, o professor e escritor Gabriel Perissé, apresenta  várias reflexões sobre a arte de ensinar. Com textos provocativos, ora calorosos, ele discute a necessidade da formação do profissional da educação, sua postura perante a sociedade, expõe situações reais, aponta caminhos. Ensinar com arte, ensinar com coerência, ensinar com prazer: três regras básicas que Perissé oferece com a paixão insaciável de quem educa por prazer.
 
  


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Quando o tema é delicado...


Alguns temas muitas vezes evitados por pais ou professores são cuidadosamente abordados por escritores em diferentes obras e estilos, para diferentes públicos.
;o)


Vó Nana
Texto: Margaret Wild
il.: Ron Brooks
Ed. Brinque Book

 
 
 
 Vó Nana e sua netinha vivem unidas e são companheiras inseparáveis cuidando juntas até do trabalho doméstico. Um dia, algo acontece na rotina delas e Vó Nana não se levanta para o café da manhã. A partir de então as duas se preparam para a inevitável separação se despedindo das coisas do mundo com ternura e sabedoria. A autora, com doçura e encanto, consegue tratar da morte sem citá-la de forma explícita. As ilustrações emocionam e, sem dúvida, levam o leitor a se apaixonar pela história.

Tati é especial
Texto e ilustração: Jean-Claude Alphen
Editora Scipione/ 2011

Tati e Juca conversam sobre as estrelas e as coisas especiais da vida: afinal, tudo um dia deixará de existir. O ciclo natural da vida, assim como a morte, é sutilmente apresentado pelo autor possibilitando que o assunto, muitas vezes evitado pelos adultos, seja discutido com crianças e jovens. O jogo está em como o mediador vai conduzir a leitura e a discussão com os ouvintes. As ilustrações enriquecem a obra na medida que levam o leitor a entender como as personagens enxergam as coisas e sobretudo, como o Universo é particularmente infinito e especial. Indicado ao Prêmio Jabuti 2012 - categoria Ilustração.

Meu filho pato
Org. Ilan Brenman

il.: Rafael Antón
Ed. Cia das Letrinhas/ 2011

 

Ilan Brenman organizou uma coletânea de textos de diversos escritores para surpreender o leitor: morte, doença, dor, perdas. Cada autor, cada qual no seu estilo (cordel, crônica, poema, narrativa) apresenta um jeito novo e sensível de lidar com assuntos tão assustadores. Um exemplo disso é o texto de Índigo, que narra a trajetória da bexiga Belinda: é impossível não se encantar pela criatividade da autora ou fugir do assunto quando uma criança questionar sobre a morte. O livro conta ainda com coloridas e inusitadas ilustrações de Rafael Antón.

 
Primeira Palavra
Texto: Tino Freitas

il. Elvira Vigna
Ed. Abacate/ 2012

Uma menina sem família, sem casa, que não sabia ler nem escrever, mas saboreava a beleza dos livros que tanto admirava na vitrine da loja. Uma vida sem esperanças, a não ser a de que um dia pudesse ganhar um livro de presente. Uma rotina acompanhada apenas pelo gato siamês que morava na livraria. Uma rotina que muda no dia do seu aniversário. Mais uma vez Tino Freitas inova seu repertório e lança uma obra lindíssima para encantar jovens e adultos. Tratando de temas como o abandono de menores e a morte de forma delicada e muito sensível, o livro se diferencia pelas ilustrações de Elvira Vigna,  que usa tinta a óleo e traços marcantes nesta edição em capa dura.

O Lobo
Texto: Graziela Hetsel
il.: Elisabeth Teixeira
Ed. Manati/ 2009


A pequena Lília ama o pai que lê para ela todas as noites antes de dormir. O pai carinhoso lê, recita e canta para sua filha querida. Um livro dentro do outro, ora mostrando a história do Lobo acompanha pelos ouvidos atentos da menina, ora embalando o leitor pela rotina de Lília até que algo inesperado acontece: o sumiço do pai, quando ele voltará para terminar a leitura? Com um projeto gráfico que traz uma história dentro da outra, Elisabeth Teixeira e Graziela Hetzel constroem uma narrativa emocionante e afetuosa para tratar dos desapontamentos que a vida traz.


O menino que brincava de ser
Texto: Georgina Martins
il.: Pinky Wayner
Ed. DCL/ 2000

 

Dudu é um menino de seis anos que gosta de “brincar de ser”: bruxa, princesa, fada... mas quem disse que os pais entendem essa brincadeira? Pior ainda quando ele confessa que quer ser menina! A história de Georgina Martins mostra com simplicidade uma situação comum às famílias de hoje em dia: a dificuldade em aceitar as diferenças e se colocar diante delas. O menino, no final, encontra seu caminho, mas será sempre assim na vida real? A leitura é uma excelente oportunidade para pais e educadores tratarem de um tema que ainda é visto com preconceito pela sociedade em geral. E as ilustrações de Pinky Wayner, nas laterais das páginas, proporcionam uma gostosa brincadeira de cineminha.

Outros títulos
 
 
Como Somos                          
Texto: Flávia Lins e Silva
il.: Leicia Gotlibowski
Instituto INDICA - Coleção Bem-me-quer/ 2009
Tema: Crianças especiais
 
Por que eu não consigo gostar dela?
Texto: Anna Claudia Ramos
il.: Maurenilson Freire
Instituto INDICA - Coleção Bem-me-quer/ 2009
Tema: Sexualidade

Salto de Borboleta

Texto: Márcia Cristina Silva
il.: Maurenilson Freire

Instituto INDICA - Coleção Bem-me-quer/ 2009
Tema: Deficiência visual

Roda-Gigante
Texto: Adriana Falcão
il.: José C. Lollo

Instituto INDICA - Coleção Bem-me-quer/ 2009
Tema: Religião

 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Paixão além das páginas

 
"O nosso livro"
 
Curta-metragem de Claudia Rabelo Lopes (2005/RJ)
 
 
 

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