O escritor Ondjaki costuma
dizer que todo luandês é meio ator: inventa uma história pelo prazer de
contá-la e quem ouve, pelo prazer de ouvir, finge que acredita e a alimenta um
pouco mais. Histórias de Luanda, sua terra natal, e de sua infância são temas
sempre presentes nos livros desse jovem escritor.

“A bicicleta que tinha bigodes”, obra infanto-juvenil publicada em
2012 pela Editora Pallas, conta a história de três crianças que resolvem
participar do concurso de redação divulgado na Rádio Nacional, cujo prêmio é
uma bicicleta novinha com as cores da bandeira de Luanda. Em busca de ideias
para uma boa história essas crianças vão, aos poucos, nos apresentando outras
personagens interessantes da rua onde moram: tio Rui que é escritor e tem bigodes mágicos de
letrinhas; o motorista de apelido Nove;
o GeneralDorminhoco; o CamaradaMudo. A fantasia, a inocência, as
aventuras vividas pelos amigos, o sabor das pequenas coisas - como o gostinho do
“sumo tang de maracujá” – marcam o ritmo dessa história que resgata valores e
sentimentos raros nas obras atuais. A influência das telenovelas brasileiras mais uma vez aparece aqui nas memórias do escritor: Beato Salú, Sinhozinho Malta e professor Astromar Junqueira da novela Roque Santeiro são citados com bom humor. Assim como em outros livros, o autor segue a
grafia angolana e apresenta um pequeno glossário para orientar o leitor menos
experiente.
Ondjaki em entrevista a um site português, disse que "a vida é verdadeira demais e temos de trazer ficção para tornar as coisas mais leves e também mais interessantes". A forma simples e verdadeira como ele considera suas memórias - ainda que embaladas por uma pitada de ficção - fazem deste livro uma celebração à amizade e ao ato da escrita.
Concordo plenamente com o escritor,de que a vida é verdadeira demais,e precisamos sim de um pouco de ficção!!!!!!Adore!!!!!!
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